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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Anticoncepcionais #2

Métodos contraceptivos são grandes aliados para o controle da natalidade, mas muitos são incompreendidos e apresentam grande resistência ao uso pelo fato de parte da população não conseguir fazer uso corretamente. Novos métodos devem ser desenvolvidos, que facilite a posologia, o uso e que esteja cada vez mais isento de efeitos adversos e com total segurança, já que cada vez mais mulheres jovens fazem uso de contraceptivos.
Hoje temos um exemplo claro que cada vez mais cientistas estão focados em novas tecnologias, pois cientistas dos EUA, Canadá, e Grã-Bretanha anunciaram a descoberta do primeiro anticoncepcional para homens. Testes feitos em ratos machos mostraram total eficácia na redução de espermatozoides, não apresentando efeitos colaterais e sendo totalmente reversível. Falar de métodos contraceptivos orais para homens é totalmente revolucionário, podendo haver grande mudança no comportamento masculino.
Segundo estudos, a elevação dos níveis de homocisteína e antígeno no plasma têm sido envolvidos como fator de risco para doença cardiovascular, acidente vascular cerebral isquêmico ou infarto do miocárdio, sendo agravados em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais. Além disso, usuárias de contraceptivos orais, com triglicérides, lipoproteína de alta densidade e lipoproteína de muito baixa densidade tiveram fatores de risco mais elevados em relação as não-usuárias. Os níveis de triglicérides, lipoproteína de alta densidade e lipoproteína de muito baixa densidade aumentaram com a idade e o tempo de uso, enquanto os níveis de lipoproteína de baixa densidade diminuíram, e os níveis de colesterol total não se alteraram.
Alguns contraceptivos podem aumentar o risco de efeitos adversos em mulheres, principalmente, com hiperlipidemia, diabetes, doença hepática, câncer de colo do útero, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Podem causar aumento da pressão, infecções frequentes no trato urinário, colecistites, colelitíases, efeito diabetogênico. Pode haver aumento do risco de tromboses, tromboembolismo, tromboflebite e embolia pulmonar. Doenças cerebrovasculares e enfarte podem ter relação com o uso destes fármacos e aumenta com a idade e anos de uso, Todos estes problemas são maiores em pacientes fumantes.
A ocorrência de neoplasias do colo do útero, carcinomas in situ e displasias está relacionada com fatores de risco, principalmente o uso de contraceptivos orais por mais de 6 anos. Mulheres que usam contraceptivos a mais de 4 anos devem realizar exames citológicos do colo do útero, pois a maioria dos casos de neoplasia são detectados em esfregaço cervical, e podem ser tratados em uma fase de cura.

Fases do câncer do colo uterino
Fonte: site “Medicina geriátrica”



Bom pessoal, essa postagem que dividi em duas partes (Anticoncepcionais #1 e #2), são parte do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da faculdade. Se alguém tiver interesse em acessá-lo na íntegra para ler o restante (também há uma pesquisa de campo que eu e meu grupo realizamos) é só acessar o link:

http://pt.slideshare.net/TCC_FARMACIA_FEF/tcc-2012-o-uso-de-anticoncepcionais-por-mulheres-de-uma-escola-tcnica-de-fernandpolis-sp

Qualquer dúvida, comentário, crítica ou sugestão é só deixar um comentário. Espero que tenham gostado!




Anticoncepcionais #1

A história dos anticoncepcionais começou há mais de 2000 anos, onde os primeiros representantes dessa classe apresentavam arsênico, estricnina e mercúrio, que causavam complicações tóxicas, ou até mesmo a morte. O hormônio progesterona, componente ativo do corpo lúteo, foi identificado em 1928 e se mostrava eficaz para proteger a gestação. Seguiram-se as observações, onde foi identificado outro hormônio, envolvido na fertilidade, chamado estrógeno. A partir de 1957 e, principalmente em 1963, a injeção dos hormônios recém-isolados em mulheres inférteis, mostrou inibições das ovulações frequentes. Assim começava o controle da fertilidade humana com o uso de esteroides.
O primeiro contraceptivo lançado continha 150 mg de estrógenos e 10 mg de progesterona, esse níveis eram altos o bastante para manter o nível contraceptivo eficaz. Porém, para diminuir os efeitos colaterais, as dosagens foram reduzidas para 30 mg de estrógeno e 1 mg de progesterona. Essas concentrações são bastante efetivas, porém na presença de alguns medicamentos, os níveis hormonais, reduzidos, podem cair ainda mais, fazendo com que a eficácia do contraceptivo seja comprometida.
Os contraceptivos orais são capazes de inibir a ovulação e promover o revestimento do útero, quando usados de forma correta e regular. Apresentam uma taxa de falha relatada de 1/1000 mulheres.
Os estrogênios são os componentes principais de vários métodos contraceptivos: pílulas anticoncepcionais, anticoncepcionais injetáveis, anéis vaginais, sistema transdérmico  e pílulas de emergência. Formulações que possuem estrogênio são conhecidas como contraceptivos combinados porque também possuem progestina na composição.

Métodos contraceptivos: contraceptivos orais, anel vaginal, DIU, preservativo masculino, contraceptivos                                   injetáveis, contraceptivos transdérmicos, diafragma contraceptivo e preservativo feminino

Nas mulheres, os esteróides são produzidos nos ovários, no córtex das supra-renais e na placenta (durante a gestação), a partir da síntese do colesterol nas células ovarianas. Entretanto, a localização intracelular das enzimas responsáveis pela biossíntese dos esteróides não é conhecida até o momento. Eles podem ser absorvidos pela pele e pelas membranas mucosas. Estrógenos semi-sintéticos (etinilestradiol e mestranol) e novos progestínicos são absorvidos por via oral, sendo eficazes na regulação do ciclo e da fertilidade. O FSH (Hormônio Folículo Estimulante) regula a estimulação dos folículos ovarianos e a produção dos estrógenos. O estradiol, normalmente absorvido pelo trato intestinal, alcança sua concentração plasmática máxima entre 1 e 2 horas, com eliminação entre 9 e 27 horas. A nível intestinal e hepático é conjugado com os ácidos sulfúrico e glucurônico, sofrendo assim a chamada 1ª passagem hepática. A progesterona, pouco antes da segunda fase do ciclo, é produzida no corpo lúteo. O LH (Hormônio Luteinizante) é responsável pelo estímulo da secreção de progesterona, que pode também ser convertida em estradiol.
Doses pequenas de estrógenos ou progesterona estimulam a secreção de LH, porém doses regulares inibem a ovulação. O hipotálamo ou os centros nervosos superiores mediam esse efeito, porém mecanismos secundários também estão envolvidos. A anovulação também pode ocorrer por supressão dos fatores de liberação das gonadorrelinas (RH – FSH, RH – LH), o que impede o crescimento de folículos ovarianos, ocorrendo o mesmo quando administrados estrógenos e progestínicos associados. Normalmente os contraceptivos inibem a ovulação, espessando o muco cervical, dificultando a migração espermática. Há também atrofia endometrial, o que reduz a probabilidade de implantação.
Quando ingeridos, os estrógenos e a progesterona são absorvidos pelo trato gastrintestinal, conduzidos até o fígado e metabolizados, fazendo com que cerca de 42 a 58% desses hormônios não tenham atividade contraceptiva. Os metabólitos são excretados na bile, que se esvazia no trato gastrintestinal. Parte deles é hidrolisada por enzimas das bactérias do intestino, liberando o estrogênio ativo que é reabsorvido, fazendo com que os níveis plasmáticos de estrógenos circulantes aumentem. A parte remanescente é excretada pelas fezes.

Metabolismo dos contraceptivos orais e prováveis mecanismos de interação com os antibióticos

Fonte: CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 1998

São indicados para mulheres que desejam controlar a natalidade. A indicação deve ser feita após consulta médica e exame ginecológico (com prevenção anual). Alguns médicos fogem do propósito principal do anticoncepcional e indicam essa classe para tratamento de ovários policísticos, ciclomastopatias, hemorragias no climatério, diminuição de dores e cólicas menstruais, redução de sangramento menstrual, redução de nódulos mamários benignos. A contracepção também pode ser benéfica em casos de: câncer endometrial, carcinoma ovariano, redução de risco de cistos ovarianos, doença pélvica inflamatória, diminuição da incidência de gravidez ectópica, mioma uterino e endometriose.
A eficácia dos anticoncepcionais orais tem seu perfil de segurança confirmado por várias pesquisas, principalmente com produtos combinados e monofásicos com menos de 35 microgramas de estrógeno e pertencente à segunda geração. A prevalência da contracepção está aumentando no mundo inteiro. Porém, as alternativas existentes não são perfeitas e efeitos adversos e inconveniência limitam sua aceitabilidade, pelo que muitas gravidezes não planejadas ocorrem.
A eficiência dos contraceptivos depende dos níveis plasmáticos de estrógeno e progesterona. O uso incorreto, como o esquecimento da pílula e horários variáveis de ingestão, pode diminuir a eficácia contraceptiva, pois pode haver queda dos níveis plasmáticos desses hormônios. Vômitos e diarréia podem diminuir o tempo do medicamento no trato gastrintestinal, diminuindo a absorção. Além disso, alguns medicamentos, como anticonvulsivantes e antimicrobianos, podem interferir na metabolização, fazendo com que os níveis plasmáticos sejam reduzidos (isso ocorre por termos variações individuais no metabolismo dos contraceptivos). Estudos observaram mulheres que faziam uso de contraceptivos e estavam em tratamento com antimicrobianos e não apresentaram alterações nas concentrações plasmáticas hormonais. Autores sugerem que esta interação ocorre apenas nas mulheres mais suscetíveis, mas, por enquanto, não há como saber quais são mais suscetíveis.
Exemplos de drogas que diminuem a eficácia dos contraceptivos orais: Antibiótico (amoxicilina, ampicilina, carbenicilina, cloxacilina, dicloxacilina, eritromicina, oxacilina, penicilina G, cloranfenicol e tetraciclinas), Anticonvulsivantes (carbamazepina, difenil-hidantoína e primidona), Tranquilizantes (clordiazepóxido, diazepam em altas doses e metadona), Agentes imunodrepressores (ciclosporinas), Vitaminas (vitamina C).
O estrogênio faz com que o organismo apresente sintomas semelhantes aos da gravidez e lactação. Nesse estado são considerados sintomas como: náuseas, vômitos, tonturas, cefaléia, cansaço, aumento de apetite e de peso. Alguns anticoncepcionais de baixa dosagem podem causar hemorragia de escape, que pode ser controlada com o uso de 2 comprimidos por 3 dias ou mais ou com a associação, por um curto período de tempo, de uma série de estrógenos micronizados. Pode ocorrer também à chamada menstruação silenciosa em 1 a 2% doas casos, não havendo a descamação do endométrio. A diminuição progressiva do fluxo ou a repetição deste fenômeno levam a paciente, aos poucos, a amenorreia pós-pílula. Neste caso ocorre a suspensão do uso do anticoncepcional.
O uso prolongado de anticoncepcionais orais produz aumento pequeno, porém significativo, na pressão sistólica e diastólica. Os níveis pressóricos revertem ao normal com a suspensão dos hormônios. Em pacientes hipertensas recomendando-se mudança para métodos contraceptivos não hormonais. Em relação aos anticoncepcionais, mantém-se ainda a polêmica sobre a associação de tromboembolismo venoso ao uso dos chamados representantes da terceira geração.
Uma interação importante é a que ocorre entre antimicrobianos e contraceptivos, podendo fazer com que haja perda da eficácia contraceptiva e até mesmo uma gravidez inesperada. Mulheres que utilizavam anticoncepcionais e faziam tratamento de tuberculose com rifampicina apresentaram sangramentos intermenstruais, proporcionando o primeiro relato de falha do uso de antimicrobiano com contraceptivos. O British Committee of Safety of Medicines relatou casos de falhas de contracepção em mulheres que usavam contraceptivos e estavam em tratamento com antimicrobianos.
          Os antimicrobianos destroem as bactérias da flora intestinal, que hidrolisam os conjugados, diminuindo o ciclo entero-hepático, causando redução dos níveis plasmáticos dos estrógenos ativos. Porém, este mecanismo não explica a interação com contraceptivos que apresentam apenas progesterona, pois seus metabólitos não são excretados na bile como os estrógenos, por isso, falhas com contraceptivos com apenas progesterona podem não ter relação com antimicrobianos. A indução das enzimas microssomais do citocromo P450 no fígado parece reduzir os níveis hormonais, acelerando o metabolismo dos mesmos. Uma menor reciclagem de estrógenos associada com um maior metabolismo hepático favorece a queda das concentrações hormonais, porém não há explicação definitiva para o processo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Técnicas forenses e a detecção de drogas ilícitas

A Química Forense vem melhorando cada vez mais suas técnicas para identificação de drogas ilícitas, responsáveis por alterações no sistema nervoso central (SNC), em diversos ambientes do nosso cotidiano. As drogas de abuso, dentre elas o álcool, a cocaína e a maconha, são responsáveis por modificações emocionais, de humor, pensamento e comportamento, gerando sensações consideradas agradáveis aos seus usuários.
Várias áreas da sociedade vêm utilizando as análises químicas para verificar o uso destas substâncias no ambiente de trabalho, nos esportes, além do uso no acompanhamento e auxílio de recuperação de usuários em clínicas de tratamento, além do seu uso com finalidade em análises forenses.
Dentre as técnicas que podem ser utilizadas, as que irão gerar quantificações seguras e detalhadas são a Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPCL) e a Cromatografia Gasosa Acoplada ao Espectro de Massas (GC/MS).
Estas técnicas podem ser realizadas em diversas amostras biológicas, como urina, sangue, suor, cabelo, saliva. As mesmas vêm sendo necessárias, afinal servem para separar e identificar, com segurança, compostos químicos, além de oferecer rapidez na análise e capacidade de estudo de amostras complexas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), droga é qualquer substância não produzida pelo organismo, mas que tem propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento. O uso continuado das mesmas causa dano ao indivíduo, afinal pode modificar, inibir ou reforçar funções orgânicas.
O uso destas substâncias ocorre devido à necessidade de conseguir efeitos agradáveis para um individuo ou mais. No entanto, este efeito vai tornando-se problemático quando a necessidade é tão grande, que domina a vida de pessoa e prejudica toda a sua qualidade de vida, o que acaba gerando também dano à comunidade.
As drogas são classificadas como depressores, estimulantes ou perturbadoras. Os depressores, álcool, geram depressão do SNC, assim como anestésicos voláteis. A depressão leve gera falta de interesse e incapacidade de concentração. Conforme esse quadro vai avançando, ocorre letargia ou sono, diminuição do tônus muscular, diminuição da capacidade de se movimentar e diminuição da percepção de sensações como dor, calor e frio. Os casos acentuados podem levar à inconsciência ou coma, perda de reflexos, insuficiência respiratória e morte.
Já os estimulantes, cocaína, pode gerar desde estímulos leves (vigília, alerta mental e diminuição da fadiga) até estímulos mais fortes, responsáveis por hiperatividade, loquacidade, nervosismo e insônia. Em quadros excessivos pode levar a convulsões, arritmias cardíacas e morte. No caso das drogas perturbadoras, maconha, são responsáveis por afetar pensamentos, percepção e humor do usuário, tornando-os distorcidos e semelhantes aos sonhos. Mesmo não alterando a velocidade dos estímulos cerebrais, podem perturbar a mente do indivíduo.
O álcool é responsável pela depressão do SNC, agindo mais rapidamente nesta região do que em qualquer outra região do corpo. É responsável por diversos casos de violência associados pela embriaguez, pois sempre está ligado à alterações de comportamento devido aos efeitos psicofarmacológicos. Pode gerar euforia quando em contato com o organismo do ser humano. Sua concentração é variada entre organismos, dependendo de parâmetros como a absorção intestinal, o volume de distribuição pelo corpo e a taxa de metabolismo. Pode-se considerar também idade, sexo, peso, quantidade de álcool ingerido diariamente, entre outros.
As análises para identificação do álcool podem ser realizadas, principalmente, com sangue e/ou ar exalado. A técnica utilizada é a Cromatografia Gasosa (GC), devido ao fato de ser eficaz para substâncias voláteis, independente de possuirmos uma matriz sólida ou líquida.
Esta droga é extraída das folhas da Erythroxylum coca, tendo uma potente ação como anestésico local e estimulante do SNC. Pode chegar ao consumidor em forma de sal, que pode ser diluído em água e usado intravenoso, ou por meio de uma base, o crack, que apresenta características voláteis quando aquecido.

Formas na qual a cocaína pode chegar ao consumidor

Como a cocaína causa efeito estimulante, o indivíduo apresenta, após o uso, sinais de alerta e autoconfiança aumentados, sensação de vigor e euforia, além da diminuição do apetite. Seu efeito é rápido e com duração curta. O consumo de álcool associado à cocaína gera resultados mais graves, afinal o etanol aumenta a “vontade” de consumir a cocaína, levando à intoxicação grave, podendo aumentar as chances de morte do usuário.
Também conhecido por Cannabis sativa, é utilizada tanto para fins medicinais quanto para fins recreacionais. O Δ9-tetra-hidrocanabinol (THC) é seu principal ativo, responsável pelos efeitos da droga. Apesar de metade doo ativo ser perdido na queima da droga, este composto tem alta afinidade com lipídios, o que facilita a penetração pelo sangue, além de gerar mudanças na membrana celular.
A maconha possui ação mais rápida quando inalada, dentre zero e dez minutos, com pico de ação em trinta minutos. O THC, em contato com o sistema nervoso, gera efeitos alucinógenos e depressores semelhantes aos gerados pelo LSD, dentre eles sensação de relaxamento e bem-estar, associados com uma sensação de consciência sensorial aguçada. Também pode gerar efeitos como prejuízo da memória e da coordenação motora, apetite aumentado, taquicardia, vasodilatação, indução da pressão intra-ocular e broncodilatação. Quando usada de maneira exagerada pode gerar ansiedade, confusão, paranoia, agressividade e psicose tóxica. Sua confirmação é feita por meio da GC/MS.
As análises visam a detecção de substâncias tóxicas, usando principalmente dois tipos de testes laboratoriais: os baseados em fluídos corporais e os baseados em amostras de queratina. A janela de detecção dos fluídos é relativamente curta, aproximadamente 2 a 3 dias, quando comparada com a detecção de amostras de queratina, que podem chegar a 6 meses.
Existem variadas técnicas para identificação destas substâncias, como reações volumétricas ou colorimétricas, no entanto as mais usadas são as técnicas espectrofotométricas e cromatográficas.
A cromatografia gasosa (GC) é usada para fins analíticos e permite a separação de substâncias voláteis arrastadas por um gás através de uma fase estacionária, sólida ou líquida, que propicia a distribuição dos componentes da mistura entre as duas fases através de processos fisioquímicos. Na fase móvel é usado o gás de arraste, que transporta a amostra através da coluna cromatográfica até o detector. Este método é limitado à necessidade de amostras voláteis ou estáveis termicamente.
A técnica de espectrometria de massas (MS) estuda as massas dos átomos, moléculas ou fragmentos de moléculas. Para a obtenção de um espectro de massa, as moléculas são ionizadas, então os íons são acelerados em um campo elétrico e separados conforme sua massa e sua carga elétrica. Nesta técnica, um espectrômetro de massa bombeia uma substância com elétrons para produzir íons, que atravessam um campo magnético, responsável por separar estes íons em padrões de espectro de massa, usualmente associado a GC ou HPLC. Isto faz com que a análise quantitativa de pequenas quantidades de amostras seja possível.
A cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) é muito aplicada à separação de solutos de diferentes polaridade, massas molares e funcionalidades químicas. Essa técnica possui adaptabilidade para determinações quantitativas, com boa sensibilidade, possibilidade de separação de espécies não voláteis e termicamente instáveis; além disso, possui aplicação em determinações ambientais e em muitos outros campos da ciência. Dentro desta técnica, 90% dos laboratórios usam pelo menos um método que aplica a modalidade de CLAE em fase reversa (CLAE-FR), que possui uma fase estacionária de menor polaridade e uma fase móvel de maior polaridade, enquanto a fase normal tem as polaridades invertidas. Estas fase apresentam vantagens como o uso de fases móveis menos tóxicas e de menor custo, fases estacionárias estáveis de muitos tipos diferentes, rápido equilíbrio da coluna após a mudança da fase móvel, facilidade de empregar eluição por gradiente, maior rapidez em análises e boa reprodutibilidade dos tempos de retenção.
As fases móveis utilizadas devem possuir alto grau de pureza e estar livres de oxigênio ou outros gases dissolvidos, sendo filtradas e desgaseificadas antes do uso. A bomba deve proporcionar ao sistema vazão contínua sem pulsos com alta reprodutibilidade, as válvulas de injeção usadas possuem uma alça de amostragem para introdução da amostra. As colunas utilizadas são geralmente de aço inoxidável e o detector mais utilizado é o ultravioleta. O registro de dados pode ser feito através de um registrador, um integrador ou um microcomputador.
Tanto a HPLC quanto a CG são métodos eficientes, no entanto a HPLC associada a MS (HPLC-MS) vem sendo a mais eficiente para a detecção de substâncias ilegais, além de capacidade de obtenção de um perfil químicos destas drogas.

domingo, 2 de novembro de 2014

Doping - O que é e como identificar

O doping começou a ser controlado em 1952, quando atletas participantes dos Jogos Olímpicos foram pegos em posse de grandes quantidades de drogas, e reforçado quando um atleta morreu durante uma competição. A partir de 1968 os testes antidoping começaram a ser utilizados. Este tipo de controle foi crescendo ao decorrer dos anos, até que em 1971, se tornou obrigatório. Já em 1999 foi criada a WADA (Agência Mundial Antidoping), responsável pelo controle da dopagem entre os atletas.

Fonte: MONCORVO, C.; Alguém está contando? abr. 2014. Disponível em < http://www.swimbrasil.com.br/blog/tag/doping/>

Mas, afinal, o que é doping?
Doping (ou dopagem) consiste no uso de qualquer substância, seja ela algum tipo de droga ou fármaco, na intenção de obter melhora do desempenho em competições de atletismo. Porém, esta prática pode trazer diversos riscos à saúde do atleta. Recentemente surgiu uma lista de substâncias que são proibidas por atletas, onde estão agrupados os seguintes fármacos: estimulantes (agem sobre o sistema nervoso central), analgésicos narcóticos (diminuem a sensação de dor), agentes anabólicos (aumentam o tamanho dos músculos), diuréticos (além de causar a perda de peso, disfarçam o doping), betabloqueadores (ajuda a diminuir a pressão arterial, mantendo as mãos estáveis) e hormônios peptídeos e análogos (ajudam a aumentar o tamanho e a potência muscular).

Fonte: FREUDENRICH, C.; Por que alguns atletas usam drogas. Disponível em < http://esporte.hsw.uol.com.br/doping1.htm/>

Testes antidoping podem ser realizados de diversas formas: usando-se urina, cabelo, sangue, plasma e/ou ar expirado. Estes testes só podem ser realizados por laboratórios credenciados pela WADA, e os atletas são submetidos a eles sem aviso prévio. Além dos testes, alguns efeitos colaterais como comportamento agressivo, acne, lesões hepáticas, sudorese excessiva, choque anafilático, insônia, arritmia cardíaca, acidente vascular cerebral, cânceres, entre outros, podem contribuir para identificação do doping.
Recentemente, nos deparamos com o doping genético, ou seja, a "transferências de células ou elementos genéticos, ou uso de células, elementos genéticos e agentes farmacológicos para modulação da expressão de genes endógenos com a capacidade de aumentar a performance atlética", dentre eles os PPARδ (agonistas do receptor delta ativado de proliferação peroxissômica) e os agonistas da proteína quinase dependente do AMP (como os genes GW1516 e o Aicar). A sequência genética “errada” é removida do cromossomo e no local é integrada uma nova sequência, que conta com anticorpos específicos para estimular ou inibir a expressão genética.

Fonte: http://anatomia-do-frinxas.blogspot.com.br/2011/06/doping-genetico.html

O principal teste antidoping é o de urina, afinal é através dela que substâncias tóxicas são eliminadas. Nele, são analisas 65 ml de urina. O atleta faz a coleta de urina na presença de um fiscal da competição para evitar possíveis fraudes. Após análise de pH e volume, a urina é colocada em um frasco de prova e um de contraprova e enviada para o laboratório. A amostra passa por técnicas de cromatografia gasosa e espectrometria de massa, que vão separar as substâncias e depois fragmentar as moléculas e quantificar os pedaços obtidos. Elas são rearranjadas e comparadas às proibidas. Se o exame der positivo para alguma substância proibida, é realizado um novo exame com a contraprova. Se o resultado continuar sendo positivo, o laudo é entregue em envelope lacrado ao órgão responsável e o atleta é punido.
A maioria dos testes são feitos usando-se urina e sangue, no entanto muitas substâncias deixam resíduos por tempo prolongado nos cabelos. Os metabólitos acabam sendo encontrados nos folículos capilares conforme o cabelo cresce. Então, para realizar a Análise em cabelo, o laboratório coleta uma amostra do cabelo do atleta. Nesta amostra são realizados testes de cromatografia gasosa e espectrometria de massa, passando pelo mesmo processo do teste de urina. A vantagem é que o folículo capilar pode apresentar substâncias usadas há mais de 90 dias. Ele vem sendo considerado o mais confiável, porém o mais caro dos testes antidoping.
Em algumas substâncias, possuímos valores para comparação dos resultados, em outros casos, como anabolizantes, não existem dados para realizar a comparação. A melanina é a responsável pela ligação do fármaco ao cabelo, fazendo com que a cor possa influenciar nos testes, afinal cabelos castanhos e pretos possuem mais melanina que cabelos louros e vermelhos. O tipo e a grossura do cabelo também podem influenciar, pois, cabelos mais grossos e negros acumulam mais substâncias que os cabelos louros e finos. Tratamentos capilares também podem alterar os resultados, fazendo com que o fármaco presente nos folículos decline de 30% a 80%. Nestes casos, é recomendado a coleta de pelos pubianos para realização dos testes.